segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Minha Favorita!




Finalmente acabou a novela! Minha satisfação em ver o fim definitivo de "A Favorita" não foi devido à sua falta de proximidade com a vida real (como muitos criticaram), nem aos buracos deixados para trás pelo autor João Emanuel Carneiro. Fiquei aliviada com o final da trama por um simples motivo: me livrei de um vício! Depois de muito tempo sem assistir a uma novela, acabei gostando tanto da história mirabolante de Flora e Donatela que perder um capítulo era doloroso. Cada dia era muito importante na construção da história.

É por isso que considero A Favorita como uma das melhores novelas exibidas nos últimos anos. "Sem barriga" (jargão usado para enredos sem a famosa enrolação"), a história envolveu e conquistou pessoas que, a princípio, detestavam novelas. Não era para menos, afinal, não é todo dia que vemos uma que não obedece fielmente os padrões seguidos pela maioria dos roteiros.

Não que A Favorita tenha sido extremamente inovadora, mas o fato de ter jogado com a dualidade (e até mesmo incoerência) das personagens principais, não ter sustentado o mistério de "quem matou Marcelo" até o final, e ter investido nas cenas fortes e nos diálogos desbocados (e não apelativos) a novela cativou o público.

Apesar das controvérsias, até mesmo a morte do Gonçalo (interpretado por Mauro Mendonça) foi brilhante, na minha opinião. Nenhum revólver ou saco plástico no rosto seria tão impecável. Eletrizante sim, mas quem disse que o horror não pode ter qualidade?

Por essas e outras, a loucura de Flora ficou na boca do povo: "será possível alguém ser tão mau?". No final, a resposta que ninguém deu, ao menos para mim, ficou bem clara: sim, lá na TV é possível. E quem quiser ver realidade e verossimilhança, que vá para a rua em vez de ficar em casa vendo novela. E se ainda assim precisarem de um motivo palpável e "real" para a crueldade da protagonista, aí vai: Flora não era má só porque ser má é legal. Ela era doente de amor, inveja e carência. Haja psiquiatra para ela!

Bom, depois de Faísca e Espoleta, eu não pretendo ver o Caminho das Índias, que estreou nessa segunda-feira. Prefiro me manter à distância, longe do vício novamente, até porque acho que pode não valer a pena. A novela que acabou ainda é minha favorita.
** Quer ver a maioria dos capítulos da novela? vai lá: http://www.afavoritabr.blogspot.com/

9 comentários:

  1. Lu, eu não acompanhei A favorita, acho que a última novela que vi alguns trechos foi Celebridades, por causa da Claudia Abreu que eu amo, mas perdi a paciência para novelas, prefiro os filmes (de qualquer nacionalidade) e os seriados americanos.

    Vai parecer preconceito, mas não é, eu vejo um seriado (Brothers & Sisters) que tem a seguinte situação, Lu: uma matriarca com vários filhos e filhas perde o marido e descobre que era traída pelo falecido (literalmente) e que este teve uma filha em um relacionamento extra-conjugal de mais de 20 anos. Os filhos dela são: um gay assumido que não consegue achar um parceiro; a mulher modelo perfeita de esposa, mas viciada em trabalho, que acaba divorciando, após o marido beijar a irmã dela (a filha do relacionamento extra-conjugal do pai)e perdendo a guarda das crianças; uma jornalista que finalmente se casa (com o candidato a presidente dos EUA) com quase 40 anos, mas não consegue engravidar; o queridinho do papai que sem saber abre uma nova empresa com a amante do pai e ao criticar o pai morto que traiu a mãe dele, acaba fazendo o mesmo com a própria esposa, depois de tornar-se pai, mas perder um dos gêmeos logo após o nascimento; um ex-drogado que volta da guerra, se apaixona pela até então nova irmã por parte de pai, que também se apaixona por ele, mas vivem em conflito, pois são irmãos (pensam eles) e amigos. Além disso, há um homem de 60 anos que se assume homossexual, a matriarca tentando redescobrir o amor e lidar com essa família louca e a amante mentindo para manter o dinheiro que herdou do falecido companheiro, escondendo inclusive que nunca teve uma filha com o cara!

    Descrevendo assim parece um pardieiro, é até confuso, né? Mas é tudo construído com tanto refinamento, com tanto sentimento, mas ao mesmo tempo de modo tão sutil que não é agressivo, é lindo, sabe?

    Aí, eu lembro das novelas brasileiras e mexicanas e fico pensando, às vezes, como seria se esse seriado fosse uma novela brasileira? Hahahaha Nossa me dá medo imaginar, acho tudo muito gratuito e apelativo, novela mostra tudo e ao mesmo tempo um beijo gay é censurado, eu não acho mais graça em novelas, acho desnecessariamente longas, além dessa recente onda que me preocupa no país que é dos vilões se tornarem ídolos do público, como aconteceu com a personagem da Claudia Abreu em Celebridades, com a Nazaré, e agora com a Flora.

    Fico me perguntando, acho que novela acaba ficando esse excesso por ser diária e por ter a obrigação de ficar por meses no ar, enquanto um filme é concentrado, é condensado, um seriado também, talvez por isso hoje eu tenha preguiça de novela, é tanta coisa e em tanto tempo que os autores se perdem, a meu ver. Tem um site, eu perdi o endereço, que conta a história de grandes filmes em curtas de 30 segundos, é bem bacana.

    O que você acha, Lu?

    Beijão!!!

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  3. Que legal seu comentário, Ru! Concordo com 80% do que você disse! Realmente as novelas brasileiras muitas vezes são muito longas (Terra Nostra que o diga), e alguns autores são especialmente apelativos (como Manuel Carlos e o próprio Gilberto Braga). Também acho que o preconceito e os estereótipos são bem reforçados em todos elas (o personagem Orlandinho de A Favorita é um exemplo claro, talvez vc tenha ouvido falar dele).
    Por esses motivos que vc disse, eu fiquei muito tempo assim como você, sem ver novela nenhuma (minha última também tinha sido Celebridade, apesar de ter visto um pouco de O Profeta).
    Foi por acaso que comecei a ver A Favorita e o que mais me chamou a atenção na trama foi a dúvida que pairava sobre o caráter da Flora e da Donatela (ainda era a época em que não sabíamos quem era a assassina). Não foi todo mundo que gostou da novidade. A maioria das pessoas prefere, das duas, uma: ou saber desde o início ou só saber no final. Mas eu acho que não revelar logo de cara quem estava falando a verdade abriu uma brecha para nós percebermos que é possível jogar com a ambiguidade natural de todos nós, recurso aonda pouco explorado nas novelas. Foi isso que me fisgou de novo.

    Sobre a conexão entre os acontecimentos e o próprio desenrolar deles, eu concordo plenamente com vc que os seriados e os filmes são realmente melhores, mas por serem produzidos com finalidades um pouco diferentes, é complicado comparar.
    Um filme, por exemplo, tem que ter um super-poder de síntese (muitas vezes fica tão resumido que até estraga a história, ou o contrário deixa tudo muito chato). Já os seriados parecem ter uma obrigação cronológica mais leve que a novela e podem se estender por anos até (em diferentes temporadas, o que dá uma folga a mais). Eles não forçam as pessoas a verem todos os episódios para saberem o que está acontecendo. Até tem algumas coisas que acontecem em uma temporada e é preciso saber o aconteceu para entender a temporada seguinte, mas ninguém sai "prejudicado" com isso. Ponto para filmes e seriados.

    Outra coisa que eu lembrei é que o enredo dos seriados costuma ser abordado de forma diferente pelo fato de o elenco ser bem menor do que nas novelas, o que acaba ajudando no aprofundamento dos personagens e dificultam o surgimento de buracos na trama. Nesse sentido a novela é mais precária mesmo, mas não sei como poderia ser diferente.

    Por fim, eu só não concordo muito com o que você disse sobre a vilã ser admirada. Acho que até mesmo nos filmes e seriados isso pode acontecer; alguns exemplos são a Blair de Gossip Girl, Magneto do X-men, Hanibal Lecter da trilogia do Silêncio dos Inocentes. Acho que ninguém gosta exatamente da maldade em si, mas sim da forma inteligente e esperta que os personagens conseguem atingir seus objetivos. Tanto é que no final de A favorita, o povo estava clamando por uma pena dura para a Flora (mais dura do que a própria morte).

    Fazendo um resumo, acho que a novela perde mesmo, mas ainda assim tem umas que podem ser exceção. hehehe.
    Sei lá, posso ter falado bobagem, mas.. td bem.. hehehe. Foi mal a resposta gigante!

    beijão!!!

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  5. Hora do almoço.
    Eu aqui, em seu blog!
    Vim de um link no blog do Otávio, meu irmão caçula!
    Eu não vejo uma novela inteira desde Laços de Família. Ainda tinha vídeo em casa e gravavam a novela pra que eu assistisse depois que chegasse da faculdade!
    Já a Favorita, eu vi apenas os cápítulos finais que passaram do Natal até agora!Rs
    Confesso, o final sem o turbilhão de casamentos e partos me agradou. Mas me explica: qual foi a necessidade daquelas formigas no vestido da Donatela?!! Foi uma brincadeira com a gente? Um susto provocado que fez um desvio e acabou na própria piada?!
    Bom, eu tenho uma certa atração pelo inimputável, loucura, crimes (não que os cometa sempre!Hehehe), mas a Flora foi demais. Porém, acho que como eu, grande partes dos telespectadores tiveram compaixão da moça, principalmente na hora da bonequinha despedaçada...
    Mas os juízes não se compadecem não!
    No mais, se a novela se chamasse Duas Caras, eu entenderia também!
    O final com as menininhas foi ótimo, e mostra como os problemas e desvios presentes podem ter uma origem até bem terna...

    Cá entre nós: É bom não ouvir mais uma vez ...que beijinho doce...

    Um grande abraço!

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  6. Eu não entendi. Deletei o primeiro omentário devido a um erro grotesco de português,e depois não consegui mais comentar... Anônimo = eu - Michele - sblogonoff

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  7. Meu alívio também em finalmente ter visto o fim dessa novela foi indescritível! Não só porque agora não preciso mais ficar tenso quando ainda não voltamos pra sua casa a tempo de ver a novela, mas porque eu também fui fisgado pela história. Deixa ver... eu não acompanhava mesmo novela desde as primeiras temporadas de Malhação. E isso dá quase uns 10 anos. E exatamente por eu ter defendido a novela por aquilo que te chamou a atenção - o fato de ela jogar com a dualidade das personagens - é que eu, quem diria, ganhei a alcunha de noveleiro! Agora, como vc, não pretendo tão cedo assistir a outra novela, a gente acaba gostando das irrealidades e se viciando. Beijões!! (ps: e as propostas de nomes, vc não me mandou)

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  8. Oi, Michele!

    Nossa... gravar novela é tão fanático qto ver em sites no dia seguinte.. hahaha...
    No geral, eu concordo com vc em tudo! Até no quesito formigas no vestido da Donatela! hahaha.. por um breve momento eu achei q era culpa da Flora. Talvez isso tenha sido de propósito, pros espectadores verem inicialmente como sendo uma armadilha, mas no final ficar uma coisa mais cômica mesmo. Sei lá.. rs
    E o final das meninas tb achei mto interessante! Mostra, mais uma vez, que o mal não é "natural" de certas pessoas e que pode ter origem lá no passado.

    Sobre sua tentativa de postar o comentário de novo, isso já aconteceu comigo. É complicado demais esse blogspot.. rs
    Abração!

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  9. Fábio!!!! Até que enfim vc assumiu que gostou da novela!!! hahahaha... venci!! Brincadeiras à parte, desculpa por ter feito vc ficar tenso assim. Mas depois que descobri o site que tinha todos os capítulos da novela, as coisas mudaram um pouco, né? De qq maneira, não liga pra esse pessoal que te chamou de noveleiro. No fundo eu aposto que eles sabiam de tudo que aconteceu na trama de A favorita! rs
    beijões!!! (eu mandei a modesta lista de nomes pro seu e-mail)

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